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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

0100 [Artigo] O Significado do Corpo (III)

O Significado do Corpo (III)


O corpo no homem tem significado diferente de na mulher
Já falei do temor à castração na constituição do corpo masculino. Tal temor o perseguirá por toda a vida promovendo ações defensivas ou de contra-ataque ao recalque com sintomas que caracterizam a obsessão. Nos filmes ‘Melhor Impossível’ e ‘Uma Linda Mulher’ vê-se claramente como se dá o encontro com o outro sexo.
Lacan diz que ‘a mulher é a melhor analista quando não é louca’. De fato põe em xeque e derruba as certezas do obsessivo (muito frequente nos homens) com seu jeito enigmático de ser.
A mulher não se marca pela identificação. Não se podem agregar as mulheres em um grupo e se referir a elas. Isso levou Lacan ao aforismo ‘a mulher não existe’. O coletivo é possível aos homens, e isso faz muita diferença para a construção da representação do corpo fálico no masculino e no feminino.
Na histeria – predominantemente feminina – a tentativa de recuperar ou reparar essa perda (recalque) muitas vezes se dá pela demanda de amor. Freud (1933) já havia dito que essa demanda na mulher é muito maior quando comparada ao homem. Embora a sociedade tenha sofrido profundas mudanças, isso ainda é muito evidente quando a mulher ocupa a posição de objeto de desejo do outro. E muitas vezes tal demanda se expressa projetivamente, como acontece quando a mulher dirige e demanda de seu cônjuge a mesma carga de afeto que deseja receber. Amamos, pois desejamos ser amados.
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P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : gobett@tribunatp.com.br

terça-feira, 4 de outubro de 2011

0099 [Artigo] O Significado do Corpo (II)


O SIGNIFICADO DO CORPO (II)

O corpo do homem é seu pensamento
O corpo masculino se constitui diferentemente do feminino. Não me refiro à sua anatomia, mas especialmente em seu significado. O corpo do obsessivo abstrai-se em seu pensamento, intelecto; a histérica tem no corpo físico o representante fálico. Seu falo é o corpo como um todo. Essa dicotomia é indicativa de muitas divergências entre os gêneros. 
Uma de suas evidências é o caráter exclusivo no feminino. Não se compara uma mulher à outra. “Você é linda como a Ana Paula Arósio” seria imperdoável. No entanto, os homens até se agradam com elogios comparativos: “Esse rapaz é um Einstein” é um elogio e tanto.
O pensamento do obsessivo é o que sustenta seu narcisismo. As crises conjugais refletem bem isso. Ele calcula, reflete, pensa no que deu errado, já que tudo fora milimetricamente planejado. Por quê? Onde está o erro? A auto-reflexão é, muitas vezes, a base do narcisismo. 
Nos primórdios da infância o obsessivo teme a castração por entender, de alguma forma, o caráter incestuoso de seu desejo edípico. Esse temor o conduz a sucessivos cálculos para reduzir a angústia emergente. Isso se perpetua por toda sua vida. De forma oposta, sendo castrada em sua natureza, a mulher tem no corpo o seu falo. Não teme a perda de um membro, mas se sabe constituída por uma falta. É a percepção da falta que faz da mulher muitas vezes um ser voraz, insaciável, nunca satisfeito.
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