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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

0116 [Artigo] Momento da Copa (II) Quem é o culpado?



MOMENTO DA COPA (II) - Quem é o Culpado?

O brasileiro é um povo gregário, festivo, com vida social intensa. O clima de copa evidencia esse fato. A seleção é o assunto das rodinhas, o país pára sua produção para vê-la. Pessoas estranhas entre si sorriem com facilidade, fazemos carreata com bandeiras, buzinadas, etc. Baixamos as guardas, ficamos mais amistosos que no cotidiano pela linguagem comum: a seleção na copa.
Buscar culpados é uma ação do superego
Entretanto, o Brasil foi eliminado e o clima de luto se instalou. Comentaristas procuram as causas da derrota e seus responsáveis ou culpados. Sabemos pela psicanálise que a vida mental infantil é regida pelo princípio do prazer. O infante, quando deseja algo, desconhece os obstáculos para consegui-lo naquele momento, o que explica porque a criança quando contrariada chora, reivindicando a realização de seu desejo.
É na medida em que crescemos que vamos sendo barrados, castrados pelo real. E o princípio da realidade entra em oposição ao do prazer. Essa é uma luta que o homem enfrentará pelo resto de sua vida e que sofrerá mudanças ao longo dela.
A despedida da copa nos coloca frente à frustração e denuncia nosso grau de maturidade. Queríamos a taça, mas como adultos não temos os mesmos direitos da criança. A busca por culpados (ação do superego) vem no lugar do choro infantil, numa recusa à frustração. Mudamos sua expressão, mas será que amadurecemos de fato?
Publicado no jornal A Tribuna Piracicabana, Ed. 199 - 07/07/10 --> www.tribunatp.com.br

P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : gobett@tribunatp.com.br

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

0100 [Artigo] O Significado do Corpo (III)

O Significado do Corpo (III)


O corpo no homem tem significado diferente de na mulher
Já falei do temor à castração na constituição do corpo masculino. Tal temor o perseguirá por toda a vida promovendo ações defensivas ou de contra-ataque ao recalque com sintomas que caracterizam a obsessão. Nos filmes ‘Melhor Impossível’ e ‘Uma Linda Mulher’ vê-se claramente como se dá o encontro com o outro sexo.
Lacan diz que ‘a mulher é a melhor analista quando não é louca’. De fato põe em xeque e derruba as certezas do obsessivo (muito frequente nos homens) com seu jeito enigmático de ser.
A mulher não se marca pela identificação. Não se podem agregar as mulheres em um grupo e se referir a elas. Isso levou Lacan ao aforismo ‘a mulher não existe’. O coletivo é possível aos homens, e isso faz muita diferença para a construção da representação do corpo fálico no masculino e no feminino.
Na histeria – predominantemente feminina – a tentativa de recuperar ou reparar essa perda (recalque) muitas vezes se dá pela demanda de amor. Freud (1933) já havia dito que essa demanda na mulher é muito maior quando comparada ao homem. Embora a sociedade tenha sofrido profundas mudanças, isso ainda é muito evidente quando a mulher ocupa a posição de objeto de desejo do outro. E muitas vezes tal demanda se expressa projetivamente, como acontece quando a mulher dirige e demanda de seu cônjuge a mesma carga de afeto que deseja receber. Amamos, pois desejamos ser amados.
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