segunda-feira, 29 de outubro de 2007

[Artigo] Grupos de Apoio à dependentes químicos

Grupos de Apoio à Dependentes Químicos

A sociedade está gritando. Gritando por socorro, por ajuda. Os sintomas sociais são os mais diversos, mas uma coisa é comum a quase todos: a família.
Temos um sem fim de grupos de apoio: para obesos, ‘neuróticos’, alcoolistas, drogaditos, etc. Cada qual com suas atenções focadas em ajudar quem o procura.
Desloco as atenções à família do dependente químico, pois entendemos ser a primeira a sofrer os impactos, pois sabemos quão avassalador é esse mal.
A medicina reconhece a dependência química como doença. Não importa qual seja ela, promove a doença. Mas há mais doentes entre uma família saudável e uma casa de recuperação que pode imaginar nossa vã filosofia. Refiro-me aos familiares, co-dependentes, dependentes psicológicos que se torna patológica em toda sua estrutura.
É aí que entram os grupos de apoio. Com o passar dos anos percebeu-se que não adianta tratar o drogadito se o meio em que ele vive não for repensado. Ele pode ser internado, re-internado, e ele recairá, pois a família está recaída emocionalmente. Mães ansiosas, pais fragilizados (isso quando há o pai), desordem de funções na estrutura familiar, compõe o ambiente mais propício para a recaída.
Fundamentais para usuários de drogas
Esses grupos trabalham comportamentos, especialmente os facilitadores da drogadicção. Temos uma inversão muito grande de papéis nas relações familiares. O filho diz ao pai: “Vou chegar tarde hoje” e pronto, está liberado para a noitada. Os pais que ainda esboçam uma reação encontram o escudo do filho: a mãe destituindo-lhe a autoridade e impedindo colocar limites.
Está criado um circulo vicioso favorável à manipulação que os adolescentes conhecem como ninguém. Desenvolvem a arte de conseguir colocar pai e mãe em constante confronto. Vazam por entre seus dedos como a água nas mãos até se descobrir que ele está nas drogas; e surge a primeira pergunta: “Onde foi que eu errei?”
Num complexo de sentimentos de culpa, mágoa, raiva, autopiedade, impotência, vergonha, etc., marido e mulher evitam a internação de seu filho e um grupo de apoio para si próprios. ‘Afinal, como pode acontecer isso logo comigo que fiz tudo por ele? Render-me a pessoas desconhecidas, expor toda minhas feridas? Ah! Isso eu não faço’. É a vergonha outra vez impedindo a profilaxia. A essas alturas, mais pessoas do que se imagina já sabem do fato.
Mas o tempo só faz conduzir à internação do filho e de si ao grupo de apoio. Como isso demora a ocorrer e pouquíssimas famílias percebem seu valor aliada à falta de coragem, quando chega ao grupo o caso já avançou e muito. E quanto mais difícil estiver, mais querem sair do primeiro encontro com a solução pronta tal como uma receita médica e nunca mais aparecer. As coisas não funcionam assim. É necessária muita persistência, obstinação, reflexão, ouvir os casos, seus acertos e erros. Mas isso só é possível com freqüência, coragem para recomeçar, reconhecer os próprios erros, perdoar a si próprios, despojar-se da culpa, etc.
Não há qualquer dúvida que esses grupos funcionam. Os resultados estão aí. Não representa dizer que estão livres de terem seus filhos recaídos. Faz parte do processo, embora não desejável.
Uma coisa é certa: famílias que evitam os grupos empurram seus filhos para a droga. Pode acontecer de acordarem tarde demais.

P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : gobett@tribunatp.com.br

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