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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

0117 [Perg/Resp] Como agir após o 1º encontro?


Nos encontramos, agora não sei se telefono!
Depois de um primeiro encontro maravilhoso (iniciado no virtual) devo esperar o homem ligar? Devo falar que não quero algo casual ou o deixo pensar que tanto faz? Quando deixamos as coisas claras parece que fica mais difícil! Quando saio do carro nunca pergunto o que ele achou de mim ou se nos encontraremos outra vez! Receio parecer fria ou desinteressada!
Célia. 

Houve um tempo que se era ou amigo ou namorado. Isso mudou. Ao contrário do que possa parecer, iniciar um relacionamento casual não denota vulgaridade, necessariamente. Hoje as pessoas estão tendo que se responsabilizar por suas escolhas sem qualquer outra garantia de dever cumprido, exceto o preço por nosso desejo. Havia uma régua moral que media o certo e o errado; Se nossa singularidade está tendo mais espaço, uma nova postura é necessária.
Os receios que relata referem-se à moral anterior à globalização, onde o dever era indicado por uma instância externa. A sociedade mudou e não nos cabe mais recorrer aos paradigmas que suas colocações evidenciam. As funções não são mais exclusivas de homens ou mulheres. Se de um lado a mulher está conquistando o homem, por outro ele não se vê mais na obrigação de responder a isso.
Parecer fria ou desinteressada é uma impressão que surge por uma atitude que não desejaria a você. Parece estar mais dissimulando um sentimento que a frieza propriamente dita, não?

P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : gobett@tribunatp.com.br

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

0114 [Artigo] Sexualidade e Consumo na TV (X)



SEXUALIDADE E CONSUMO NA TV (X)
Erotismo na infância

Por Paulo Roberto Ceccarelli*
Por possuir um tempo e um ritmo próprios, e uma vez que o curso definitivo das disposições pulsionais é determinado pelas experiências da primeira infância, o excesso (prematuro) de estímulos pode ser um problema à sexualidade do sujeito em constituição. Uma das fontes desse excesso é a TV. Alguns programas despertam a sexualidade de maneira a comprometer a sexualidade futuramente. Meninas de três, quatro anos, ou menos, dançando a famosa "dança da garrafa" em emissões televisivas. A satisfação que o reconhecimento narcísico do olhar do outro produz na criança é, sem dúvida, muito grande. Devido às diferenças de leitura, o olhar adulto a esta cena pode constituir um “fator patogênico” quando erotiza a criança pelo apelo sexual, distante de sua condição infantil.
As questões que a mídia traz ao erotismo, pornografia e outras tantas ofertas ilusórias reascende uma velha questão colocada por Freud: a de saber “se, e até que ponto, é possível diminuir o ônus dos sacrifícios pulsionais impostos ao homem, reconciliá-los com aqueles que necessariamente devem permanecer e fornecer-lhes uma compensação”. É uma questão de ética e responsabilidade civil da TV. 
Fonte: http://www.ceccarelli.psc.br/

* Paulo Roberto Ceccarelli é Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII, entre outros títulos de peso.

P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : gobett@tribunatp.com.br

sábado, 25 de agosto de 2012

0106 [Artigo] Sexualidade e Consumo na TV 2


SEXUALIDADE E CONSUMO NA TV (II)
 Paulo Roberto Ceccarelli*

O difícil e longo processo de “educação pulsional” que permite ao sujeito suportar as exigências impostas pela civilização inicia-se no nascimento. O potencial bio-psíquico do bebê será desenvolvido a partir de suas relações com seus cuidadores e, num segundo momento, pelo grupo mais amplo no qual está inserido: esse grupo é o primeiro representante sócio-cultural ao qual ela terá acesso e do qual extrairá as informações sobre o sistema simbólico da sociedade que pertence e à qual deverá se submeter e inserir seus comportamentos e condutas.
A criança precisa de modelos éticos de seu pais
A participação de seus cuidadores na construção do sistema de valores ético-morais da cultura em que está inserida é um postulado de base. Entretanto, quando seus responsáveis não lhe oferece referências identificatórias, é provável que ela busque modelos fora do ambiente próximo para sua constituição psíquica. Na falta de referências, a criança pode tomar aquilo que a mídia, em particular a TV, exibe como coordenadas de base.
Em 2000 publiquei um texto em que parto dessas considerações para discutir em que medida aquilo que a mídia veicula pode produzir efeitos perversos para a constituição psíquica.

* Paulo Roberto Ceccarelli é Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII, entre outros títulos de peso.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

0104 [Artigo] O Significado do Corpo (VII) Mídia 2


ÉTICA, MÍDIA E SEXUALIDADE (II)
por Paulo Roberto Ceccarelli*

Ainda que a sexualidade infantil esteja presente desde o nascimento, ela tem um tempo e um ritmo próprios, e a exposição prematura a um excesso de estímulos sexuais pode ser problemático para um sujeito em constituição. Uma das fontes deste excesso tem sido a mídia. Alguns programas incentivam o despertar da sexualidade de maneira preocupante para o futuro da criança. Exemplo: há algum tempo atrás, várias emissoras exibiam meninas de 3, 4 anos, às vezes menos, dançando a então famosa "dança da garrafa". É claro que isto traz uma grande satisfação para a criança e, sem dúvida para os pais, por estar sendo admirada e agradando ao público. Entretanto, o olhar do adulto em direção a esta cena, não é o mesmo que o da criança. Isto pode provocar uma erogenização precoce e produzir um tipo de apelo sexual em completa contradição com a sua condição infantil. A mídia tem que saber disto e se posicionar a respeito: é uma questão ética.

Os adolescentes tão pouco estão ao abrigo desses efeitos perversos da mídia. A busca de modelos externos – típica desta fase de separação dos modelos familiares – faz com que aqueles carentes de referências que suportem esta passagem tomem aos padrões e comportamentos sexuais que a mídia exibe como "regra de conduta". Muitas vezes, entretanto, o que a mídia exibe se encontra em total contradição com o sentimento que o adolescente experimenta, o que pode fazer com que ele se sinta desrespeitado, discriminado ou até perdido. Em outras situações ela oferece "soluções" a conflitos internos assegurando ao sujeito a ilusão de pertencer a um grupo e propiciando-lhe, ao mesmo tempo, uma defesa contra o perigo de se entrar em contato com representações inconscientes geradoras de angústia.

A mídia tem uma responsabilidade ética com o que exibe, e não pode ignorar a sua participação na construção social, na formação de mentalidades e no desenvolvimento psicossocial da criança e do adolescente. Atrelar o que ela veicula exclusivamente aos pontos da audiência baseada na ideologia de uma cultura globalizante é desrespeitar a particularidade do tempo de maturação da constituição de cada sujeito.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

0103 [Artigo] O Significado do Corpo (VI) Mídia 1


ÉTICA, MÍDIA E SEXUALIDADE (I)
Paulo Roberto Ceccarelli

A sexualidade sofre efeitos da mídia
A sexualidade humana se constitui antes do nascimento da criança e se relaciona com o lugar que a criança ocupa no imaginário dos pais e na economia libidinal do casal. Após o nascimento inicia-se a constituição do sujeito: um processo marcado por intensos movimentos pulsionais que definirão a expressão da sexualidade adulta. Isto significa que os diferentes graus de repressão, prazer, culpa, influenciam na maneira como cada um vive a sua própria sexualidade, construída desde os primeiros dias de vida.
Embora a criança demonstre interesse sexual desde tenra idade, a sexualidade infantil é totalmente diferente da adulta. A resposta que ela dá às excitações sexuais de seu corpo não corresponde à leitura que o adulto faz desta mesma sexualidade. É por esse motivo que a criança é inocente na fase das "brincadeiras sexuais". O adulto ao surpreendê-la nestas brincadeiras lhes atribui a conotação sexual adulta que significará a permissão/proibição de certas brincadeiras à criança e, em casos extremos, dignas da punição de Deus. A resposta do adulto à sexualidade infantil está intimamente ligada à maneira como o mesmo vivenciou o despertar de sua própria sexualidade.

(Paulo Roberto Ceccarelli é Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII, entre outros títulos de peso).
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P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : gobett@tribunatp.com.br

sexta-feira, 24 de junho de 2011

0088 [Artigo] Novos Paradigmas Sociais


Admirável Sociedade Virtual (III)

O virtual favorece a quebra da moral e ética
Como dito na edição (I), em Admirável Mundo Novo a educação sexual se iniciaria na infância, o conceito de família inexistira e as pessoas viveriam sem ética religiosa e valores morais atuais. Não tão nitidamente isso ocorre no Orkut, organizado horizontalmente, em tribos (comunidades), e sem a estrutura típica da família nuclear. Essa é uma das marcas da sociedade globalizada, onde a organização vertical dá lugar a novos paradigmas.
A primeira sociedade que conhecemos é a família, que hoje se encontra organizada de múltiplas formas, em oposição à família nuclear em cuja organização hierárquica o pai representava da lei.
Mesmo contra os Termos de Serviços da Google há a participação de menores no site, consentida pelos pais, e o conseqüente acesso a conteúdos sexuais explícitos, seja por meio das comunidades, seja pelo acesso a perfis com imagens de nudez ou outros, sem a menor possibilidade de controle. Temos fortes elementos da obra de Huxley escamoteados: sexualidade estimulada desde tenra idade, conceito modificado de família, ética e moral pluralizada. Se na era anterior à globalização tínhamos a ética do dever (isso deve, aquilo não) com a horizontalização da nova estrutura social temos que responder a nossa singularidade. A aplicação da estrutura vertical no orkut faz emergir a figura dos tiranos, incapazes de responder aos novos paradigmas.
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P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : pedrogobett@yahoo.com.br
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