quarta-feira, 5 de setembro de 2012

0108 [Artigo] Sexualidade e Consumo na TV 4



SEXUALIDADE E CONSUMO NA TV (IV)

Por Paulo Roberto Ceccarelli*

A mídia padroniza o desejo
Os modelos impostos pela mídia, verdadeiros ditames de conduta, substituem ou eliminam nossa singularidade (origens, cultura, crenças, valores ético-morais), levando a um empobrecimento radical da subjetividade. 

Modelos coletivos criam ilusões identitárias cuja manutenção só é possível pela eliminação da circulação do desejo: o sujeito é transformado em objeto de consumo, e os valores sociais de felicidade em necessidades narcísicas. Não se medem esforços pela audiência e garantia de patrocinadores. A organização imaginária onde a publicidade atua é patogênica, pois dá à imagem uma única interpretação possível.

Se a felicidade é um problema de economia libidinal, o que é exibido como insígnia de sucesso é uma satisfação substituta da renúncia pulsional. A mídia opera no psiquismo transformando qualquer objeto em objeto de necessidade impedindo-o de realizar o desejo, sua função. É entre a satisfação pulsional e narcisismo que as campanhas publicitárias vigoram. Baseiam-se no ‘possuindo (consumindo), você "chega lá"’. Sua perversão se revela numa promessa de completude. Maria Rita Kehl merece reflexão: “a mídia pode romper o pacto civilizatório na medida em que sugere que não há limite?”.


* Paulo Roberto Ceccarelli é Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII, entre outros títulos de peso.

P a r a   e n v i a r   p e r g u n t a s : gobett@tribunatp.com.br

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